Votação em São Paulo: Lula virou 16 distritos no 2º turno

A votação em São Paulo mudou de maioria em 16 dos 96 distritos no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Regiões que haviam favorecido Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno passaram a dar maioria a Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O levantamento usou boletins de urna do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), considerando 100% das seções eleitorais, e cruzou os resultados com a divisão territorial do GeoSampa, da Prefeitura de São Paulo.

A comparação considera as votações de 4 e 25 de outubro de 2026. No segundo turno, Lula ficou à frente em 68 distritos da capital, enquanto Flávio venceu em 28.

Além das mudanças de liderança, a análise examinou a variação das margens nos 96 distritos e comparou os resultados com dados de renda do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Viradas no segundo turno e placar geral na capital

As regiões que trocaram a maioria de Flávio Bolsonaro pela de Lula foram Brás, Cambuci, Cangaíba, Cidade Líder, Cursino, Freguesia do Ó, Ipiranga e Jaçanã. Também estão na lista Lapa, Limão, Pirituba, Ponte Rasa, São Domingos, São Mateus, Saúde e Tremembé.

No resultado total da votação em São Paulo, Lula recebeu 55,5% dos votos válidos, o equivalente a 3.864.354 votos. Flávio Bolsonaro somou 44,5%, ou 3.097.923 votos, diferença de 766.431 votos a favor do petista.

No primeiro turno, Lula também havia ficado à frente na capital, com 46,58% dos votos válidos, contra 42,13% de Flávio. O resultado paulistano integrou a eleição nacional em que Lula reverteu a desvantagem da primeira votação e foi reeleito presidente.

Distritos com maiores vantagens para Lula e Flávio Bolsonaro

Jardim Ângela, na zona sul, registrou a maior proporção de votos válidos para Lula: 68%, com vantagem de 36 pontos percentuais sobre Flávio Bolsonaro. Cidade Tiradentes teve 67,6% para o petista e margem de 35,1 pontos, enquanto Grajaú marcou 67,2% e diferença de 34,3 pontos.



O melhor resultado de Flávio ocorreu em Moema, também na zona sul, onde ele obteve 61,2% dos votos válidos e abriu 22,4 pontos percentuais de vantagem. Na Água Rasa, na zona leste, o candidato do PL recebeu 58,6%, com margem de 17,2 pontos; no Tatuapé, alcançou 58,2%, à frente por 16,4 pontos.

Em Jardim Paulista, a disputa terminou com a menor diferença entre os candidatos: Flávio venceu por 136 votos. O resultado contrasta com as margens mais amplas registradas para cada candidato em seus distritos de melhor desempenho.

Renda, margem eleitoral e critérios do levantamento

Nos 24 distritos de menor renda, onde o rendimento médio mensal dos responsáveis pelos domicílios varia de R$ 1.693 a R$ 2.803, Lula venceu em todos. Nessa faixa, a margem do petista aumentou 8,5 pontos percentuais em relação ao primeiro turno, conforme a comparação dos resultados com dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na faixa de renda seguinte, de R$ 2.865 a R$ 4.057, Lula foi o mais votado em 17 dos 24 distritos. Entre os locais com rendimento médio de R$ 4.078 a R$ 6.982, o petista venceu em 14.

Nos 24 distritos de maior renda, com rendimento médio mensal entre R$ 7.393 e R$ 16.362, Lula venceu em 13. A margem a favor dele cresceu 2,5 pontos percentuais em relação ao primeiro turno, e o resultado agregado dessa faixa ficou em 50,8% a 49,2%.

A margem de Lula avançou em 94 dos 96 distritos, mas esse movimento não significa que ele tenha se tornado o mais votado em todos eles. As maiores variações ocorreram em Marsilac, com 9,7 pontos percentuais, e Parelheiros, com 9,3 pontos; a comparação entre renda média e resultado distrital não identifica o voto de cada eleitor nem demonstra que a renda, isoladamente, determine sua escolha.



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