A frota de ônibus em São Paulo operava com 71,04% dos veículos às 14h40 de 25 de outubro de 2026, segundo levantamento baseado no aplicativo BusInfo. O índice ficou abaixo do determinado pela Justiça Eleitoral para o segundo turno.
A decisão do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) estabeleceu a operação integral dos ônibus municipais. A Prefeitura de São Paulo afirmou que recebeu a notificação na véspera da eleição.
Passageiros de diferentes regiões da capital relataram longas esperas e dificuldades para utilizar o transporte público no dia da votação. Entre os locais mencionados estavam bairros das zonas Norte e Sul.

O levantamento também registrou diferenças na circulação entre as regiões da cidade, enquanto a prefeitura apontou dificuldades para reorganizar a operação. A tarifa permaneceu gratuita pelo programa Domingão Tarifa Zero.
Levantamento registra operação abaixo do determinado pela Justiça
O município tem 13.767 ônibus, e o levantamento do BusInfo contabilizou 9.786 veículos em circulação às 14h40 de 25 de outubro. O aplicativo gratuito acompanha o transporte público em tempo real e registra ônibus que saíram das garagens.
Esse critério tem uma limitação apontada na apuração: houve denúncias de que alguns veículos deixaram as garagens, mas não chegaram a circular. Por isso, o número de veículos registrados pelo BusInfo não confirma, por si só, que todos prestavam serviço nas linhas.
A decisão da Justiça Eleitoral determinava operação em nível equivalente ao de dias úteis. Em caso de descumprimento, a multa prevista era de R$ 100 mil, aplicada pessoalmente ao prefeito Ricardo Nunes (MDB) e ao presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges.
O Partido dos Trabalhadores (PT) apresentou à Justiça Eleitoral uma denúncia de que a frota de ônibus em SP operava com apenas 60% dos veículos. Esse percentual diverge do levantamento baseado no BusInfo, que considerou os ônibus identificados em operação às 14h40.
Diferenças regionais e relatos de espera por ônibus
Entre as regiões com dados detalhados, o Sudeste teve o menor índice: 57,13% dos 1.304 ônibus contabilizados estavam em circulação, enquanto 559 permaneciam nas garagens. No Oeste, a proporção foi a maior, com 75,02% dos 1.169 veículos em operação.
Nas regiões Leste, Sul e Norte, os percentuais de circulação foram, respectivamente, 70,92%, 70,27% e 69,68%. Em números absolutos, a Sul tinha 2.662 ônibus em operação, seguida pela Leste, com 2.485, e pela Norte, com 2.284.
Como referência para a oferta, a operação habitual aos domingos é de cerca de 35% da frota, ou aproximadamente 4.900 ônibus. Aos sábados, o padrão é de 50%, equivalente a cerca de 6.900 veículos.
Relatos de passageiros recebidos pela TV Globo e pelo g1 mencionaram longas esperas e dificuldades no transporte em diferentes pontos da capital. Entre os locais citados estavam Jaraguá e Vila Zilda, na Zona Norte, além da Avenida Ibirapuera, da Estrada do M’Boi Mirim e do Jardim Ângela, na Zona Sul.
Prefeitura aponta dificuldades para ampliar a frota na véspera da eleição
Segundo a Prefeitura de São Paulo, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) notificou a SPTrans às 13h10 de 24 de outubro sobre a determinação de colocar toda a frota municipal em operação no dia seguinte. A empresa informou que comunicou as concessionárias às 13h32, abrangendo os 32 lotes operacionais da cidade.
A SPTrans afirmou que as concessionárias relataram dificuldades para reorganizar escalas, jornadas e rotinas em menos de 12 horas. A empresa também disse que as programações dos profissionais consideravam folgas e a organização necessária para que pudessem exercer o direito ao voto.
Para justificar o planejamento original, a SPTrans citou os dados do domingo anterior: cerca de 6,9 mil ônibus em operação, aproximadamente 8 milhões de lugares ofertados e 3,4 milhões de passageiros transportados. Segundo a empresa, esses indicadores serviram de base para definir a oferta prevista para o domingo da eleição.
A empresa declarou que o plano operacional havia sido encaminhado previamente aos órgãos eleitorais, não recebeu questionamentos até então e foi adotado no primeiro turno. A SPTrans também informou que monitorava a disponibilidade dos veículos junto às concessionárias; a tarifa municipal permaneceu gratuita pelo Domingão Tarifa Zero, política em vigor desde dezembro de 2023.


