A origem do Panelafro e sua evolução
O Panelafro foi criado em 2000, em um contexto cultural rico, repleto de referências à herança afro-brasileira. Idealizado por Jonas Barbosa, conhecido como mestre de capoeira Arákùnrin, este evento foi projetado para trazer uma nova perspectiva cultural para a região de M’Boi Mirim, em São Paulo. Desde então, o Panelafro se transformou em um ponto de resistência e celebração da cultura negra, destacando ritmos tradicionais como ciranda, coco e samba, além de promover uma profunda valorização da identidade afro-brasileira.
Nos primeiros eventos, a festa enfrentou uma resistência inicial, pois o Axé Music dominava as preferências do público local. Para superar desafios, Arákùnrin começou a envolver as escolas e a comunidade do M’Boi Mirim, promovendo uma aproximação entre os moradores e o Panelafro, assim garantindo uma participação mais efetiva da população.
A importância da cultura negra na periferia
O Panelafro não é apenas uma festa, mas sim um espaço de cultura, onde as tradições afro-brasileiras são belamente respeitadas e revitalizadas. A mistura de música, dança e espiritualidade promove a inclusão e a valorização da comunidade negra de São Paulo, especialmente em uma região como M’Boi Mirim, que abriga uma elevada concentração de pessoas negras. O evento contribui de forma significativa para o combate ao preconceito e a promoção de um ambiente onde todos se sentem bem-vindos, independentemente de idade ou origem.

Durante a abertura do evento, os organizadores prestam homenagem a Exú, divindade do candomblé, com cânticos e celebrações, reforçando o aspecto espiritual que permeia o Panelafro. Esse espaço fortalece não apenas laços comunitários, mas também a fé e a ancestralidade dos participantes, tornando-se um verdadeiro quilombo cultural na periferia.
Celebrando com música, comida e espiritualidade
Um dos momentos mais esperados do Panelafro é o “Ajeum”, que em Iorubá significa “comer juntos”. Durante essa atividade, são servidas refeições tradicionais da cultura afro-brasileira, oferecendo uma experiência de convívio e partilha de saberes. Além disso, o evento acolhe pequenos empreendedores, principalmente mulheres negras, que têm a oportunidade de expor e comercializar seus produtos, fortalecendo a economia criativa local.
O Panelafro se consolida, assim, como um espaço de resistência e fortalecimento da cultura negra, promovendo a dança, a música e a alimentação como formas de celebrar a identidade afro-brasileira. Com a entrada franca, todos estão convidados a participar, vivendo momentos de alegria e aprendizado na Casa de Cultura de M’Boi Mirim.

