O presidente do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), desembargador José Antonio Encinas Manfré, afirmou que a notificação formal sobre a prorrogação da votação chegou ao tribunal às 18h17 de 25 de outubro de 2026. Ele declarou que os eleitores não foram prejudicados.
A prorrogação foi determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), após relatos de redução da frota de ônibus em cidades brasileiras. A decisão atendeu a um pedido da coligação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Os relatos sobre dificuldades de transporte se concentraram na capital paulista e na Grande São Paulo, onde passageiros enfrentaram atrasos e longas esperas. A medida também abrangia locais de votação em outros estados.

O episódio envolveu a comunicação entre o STF e a Justiça Eleitoral e gerou críticas de representantes da campanha de Lula sobre o transporte público. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), contestou as críticas sobre a oferta de coletivos na capital.
Decisão do STF e recebimento da notificação pelo TRE-SP
Quando a decisão de Cristiano Zanin foi tomada, cerca de 80% das urnas já haviam sido encerradas, segundo o presidente do TRE-SP, José Antonio Encinas Manfré. As seções que ainda tinham eleitores na fila permaneceram abertas; as já encerradas não foram reabertas.
O ministro determinou que a votação se estendesse até as 19h, após relatos de redução da frota de ônibus. A decisão atendia a um pedido da coligação de Luiz Inácio Lula da Silva e abrangia locais de votação em pelo menos nove estados.
Manfré afirmou que o tribunal soube da medida pela imprensa e aguardou a comunicação oficial antes de tomar providências. Depois, Zanin esclareceu que a prorrogação da votação em SP e nos demais locais se aplicava somente às seções que ainda estavam em funcionamento no momento da decisão, cabendo ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) implementar a determinação.
Problemas no transporte e reações de campanhas e autoridades
Na capital paulista e na Grande São Paulo, foram relatados atrasos, terminais lotados e ônibus acumulados em filas nas garagens. No Terminal Varginha, na zona sul, moradores disseram ter esperado até três horas; também houve filas em Santana e no Jardim Ângela.
Na Vila Zilda, na zona norte, passageiros relataram que motoristas se recusaram a levar eleitores aos locais de votação. A Justiça Eleitoral já havia exigido que a prefeitura e a SPTrans mantivessem a frota completa, como em dia útil.
O senador Camilo Santana, coordenador da campanha de reeleição de Lula, chamou de “boicote claro” a situação em capitais governadas por adversários do PT, citando Salvador e São Luís. Ele afirmou que a decisão do STF saiu tarde e não corrigiu os efeitos dos problemas no transporte, e mencionou os prefeitos Ricardo Nunes e Bruno Reis ao dizer que avaliaria o caso com a coordenação da campanha.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que a falta de ônibus em São Paulo e Salvador configurava crime e interferia no processo eleitoral, e cobrou que o TSE aplicasse a legislação. Ricardo Nunes disse à TV Globo, por mensagem, que a quantidade de coletivos superava a procura e que nenhum eleitor estava sem atendimento, mas não apresentou números. Já a campanha de Flávio Bolsonaro pediu a mesma extensão de duas horas em cidades de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul afetadas por chuvas.


