A proposta de orçamento para a segurança pública de São Paulo em 2027 foi tema de audiência da Câmara Municipal em 21 de outubro de 2026. O encontro integrou a análise das despesas previstas para a cidade.
O debate foi promovido pela Comissão de Finanças e Orçamento e faz parte da tramitação do Projeto de Lei (PL) 752/2026, enviado pelo Executivo, que estabelece a Lei Orçamentária Anual (LOA) do município.
Participaram da audiência representantes da Secretaria Municipal de Segurança Urbana, vereadores e moradores de diferentes regiões da capital, além de integrantes de conselhos comunitários e de entidades ligadas à segurança.

As manifestações trataram de demandas locais e da distribuição de recursos entre serviços e ações municipais. A discussão também abordou a atuação da Guarda Civil Metropolitana e a preocupação de vereadores com a Defesa Civil.
Proposta prevê recursos para a Secretaria Municipal de Segurança Urbana
A proposta destina R$ 2,053 bilhões à Secretaria Municipal de Segurança Urbana em 2027. A secretária Juliana Lopes Bussacos informou que a pasta executa orçamento de R$ 1,9 bilhão em 2026 e que, com o valor previsto, ultrapassará pela primeira vez a marca de R$ 2 bilhões.
Da verba projetada, R$ 1,3 bilhão deve cobrir a folha de pagamento. Outros R$ 384 milhões estão previstos para a Atividade Delegada, parceria entre a Prefeitura e o Governo do Estado que permite reforçar o policiamento com policiais militares durante as folgas.
O programa Smart Sampa deverá receber R$ 173 milhões, enquanto a Guarda Civil Metropolitana (GCM) terá mais de R$ 140 milhões. Para a Defesa Civil, a previsão apresentada pela secretaria é de R$ 6 milhões.
Na audiência, o secretário-adjunto da Secretaria Municipal de Planejamento e Eficiência, Fabrício Augusto dos Santos Reis, apresentou o contexto do orçamento municipal: receita estimada em R$ 146,5 bilhões e cerca de R$ 20 bilhões planejados para investimentos em 2027. Ele também mencionou iniciativas intersetoriais, como o orçamento da Pessoa Idosa, os orçamentos regionalizados e o Orçamento Cidadão.
Moradores e entidades apresentam demandas durante audiência
Lucas Wrigg, presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) da Vila Pereira Barreto, em Pirituba, pediu uma base da GCM na região noroeste. Segundo ele, há um terreno disponível, mas a unidade atual não tem endereço fixo e funciona em locais emprestados.
Sérgio Moraes, diretor do Conseg Jardim Ângela, na zona sul, apontou os pancadões e o volume do som como problemas para moradores. Ele relatou que algumas pessoas têm dificuldade para dormir e fazem tratamento.
Mauricio Villar, diretor de comunicação do Sindicato dos Guardas Civis Metropolitanos de São Paulo (SindGuardas SP), defendeu que 3% do orçamento seja destinado à segurança, percentual incluído na pauta de reivindicações da entidade. Já Cassio Santos, morador de Parelheiros, pediu maior fiscalização da GCM nos bairros por causa do barulho de bicicletas e motos.
Cida Costa, vice-presidente do Conselho Municipal de Direitos da Pessoa Idosa de São Paulo (CMI/SP), informou que o Disque 100 recebe 20 denúncias diárias de agressão contra pessoas idosas, além dos relatos encaminhados ao conselho e ao telefone 156. Ao avaliar o debate, o presidente da comissão, vereador João Ananias (PT), questionou a atenção às periferias e aos trabalhadores da área e manifestou preocupação com os recursos da Defesa Civil, citando cortes e a necessidade de investimentos para enfrentar enchentes em períodos chuvosos.


